quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Otimismo em excesso gera acomodação na carreira

Esperar demais para o futuro pode confundir o profissional, que se esquece de evoluir e se aprimorar para então galgar cargos maiores

Desejar um futuro melhor em termos de carreira e qualidade de vida não é nenhum pecado. Mas quando esse desejo passa a ser mais importante do que as próprias atitudes tomadas pelo profissional para se chegar até o objetivo, é hora de parar e analisar a situação: você pode estar sendo vítima do otimismo em excesso.

Um dos sintomas desse mal é o bloqueio da percepção da realidade, que pode gerar problemas mais complicados na carreira. Segundo o consultor Eduardo Ferraz, especialista em Neurociência Comportamental, esse tipo de situação pode acontecer quando o profissional se julga mais competente do que realmente é e deixa de se preocupar com o desenvolvimento das próprias habilidades e conhecimentos.

Qualificação
Segundo a última análise do Índice de Expectativas das Famílias (IEF), estudo realizado mensalmente pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), 78% dos chefes de famílias brasileiros se sentem seguros com os atuais cargos. Destes, 35,8% estimam um crescimento profissional nos próximos seis meses. Por outro lado, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) revelou que a carência de profissionais qualificados atinge 69% das empresas, sendo que 78% delas procuram investir na melhoria desse quadro capacitando os colaboradores no próprio local de trabalho.

Logo, a segurança na carreira que muitos profissionais brasileiros têm pode ser um ilusão bem efêmera. 'O fato é que muitos profissionais deixam de se aprimorar em suas carreiras por terem uma autoavaliação distorcida', afirma Ferraz, ressaltando que a tese do psicólogo e vencedor do prêmio Nobel Daniel Kahneman foi justamente calcada no fato de que o otimismo em excesso é uma regra no mercado de trabalho, não exceção. Segundo Kahneman, todos têm uma tendência inconsciente a se acharem mais qualificados do que realmente são.

'O ser humano é condicionado, instintivamente, a buscar o caminho mais fácil e toma decisões baseadas no prazer imediato. Por isso tantas pessoas se endividam, cuidam pouco da saúde e deixam a carreira seguir por inércia', pontua o consultor.

Atitudes valem mais do que pensamentos
Ferraz defende que todos os profissionais devem procurar fazer uma autocrítica mais justa e agir para promover as mudanças necessárias. 'Esperar que o melhor aconteça em sua carreira, sem o devido esforço, é mera ilusão. Ninguém é promovido ou recebe uma proposta de trabalho maravilhosa apenas por sorte. Pensamentos positivos são importantes, mas ter atitudes realistas é essencial', garante.
Para evitar situações de otimismo exacerbado e, por conseguinte, surpresas na carreira (como angústia, baixa auto-estima, insatisfação e até demissão), nunca é demais, lembra Ferraz, investir no autoconhecimento e na análise das reais competências profissionais. 'Aprimorar continuamente seus pontos fortes deveria ser a maior prioridade na vida de quem quer evoluir profissionalmente. Se você estuda, faz cursos de qualificação, aprimora seus talentos e é reconhecido por isso, seu otimismo na verdade é puro bom senso', conclui.

Fonte: Portal Administradores

Comportamentos da geração Y impedem crescimento profissional

Camila Mendonça,

A geração Y, nascida a partir de 1978, mudou a dinâmica do mercado de trabalho -- que ficou mais antenado e flexível.

Algumas características desses jovens profissionais, contudo, não agradam a todos e até prejudicam a carreira de quem não sabe lidar com elas, afirmam consultores.

'O mercado aceita (alguns comportamentos do jovem) porque não há mão de obra qualificada', afirma o 'coach' Alexandre Prates.

O mercado de trabalho aquecido e mais competitivo faz com que integrantes da geração Y não percebam que, se não mudarem alguns aspectos, podem colocar a carreira em risco, destaca o consultor.

Comportamentos como dinamismo em excesso, urgência em crescer e pressa em atingir resultados são considerados positivos, se bem dosados.

'Tem muito jovem com potencial, mas com muita ânsia de crescer, o que o faz atropelar os acontecimentos', considera Marisa da Silva, consultora de carreira da Career Center.

Sem limites, jovens profissionais deixam de fechar ciclos nas empresas. 'O mundo corporativo tem um tempo diferente, e eles precisam entender que é preciso um tempo para chegarem lá, que não é em um click', afirma Alexandra Morgado, gerente de treinamento e desenvolvimento da Personal Service, de consultoria.

SEM HISTÓRIA
Dentre as características que podem barrar a carreira da geração Y, segundo especialistas consultados, está o ímpeto em ocupar os melhores cargos no menor espaço de tempo possível. 'Com isso, eles não têm crescimento sustentável e não adquirem conhecimento prático e concreto do negócio', afirma Silva.

O 'foco excessivo' na carreira, afirma Prates, também é fator que prejudica os jovens profissionais. 'Falta comprometimento nessa geração. Ela não se apaixona pela empresa e pelo trabalho.'

A dificuldade em lidar com os próprios fracassos profissionais pode impedir ascensões mais seguras. 'Isso é falta de vivência profissional, de criar uma história em uma empresa', avalia Morgado.

'Com maturidade e vivência, ele consegue tomar decisões, ser mais autoconfiante e se frustrar menos', enfatiza Morgado.

Fonte: Folha.com