sexta-feira, 7 de outubro de 2011

E se seu chefe fosse o doutor House?

 

Se você tem um emprego que adora, mas precisa conviver com um chefe como o dr. House, avalie: se o estresse for maior que a aprendizagem, pule fora!


Um líder agressivo, excêntrico, mal-humorado, amargo e que não sabe lidar bem com as pessoas corre o risco de não durar muito tempo numa empresa real, pelo menos na maior parte das companhias. Na ficção, é diferente. Há seis anos, o doutor Gregory House, personagem interpretado pelo ator inglês Hugh Laurie, atormenta sua equipe (e sua chefe direta) com ironias e sarcasmos. Frases como "sou fisicamente incapaz de ser educado" e "não culpe a mim pelo meu humor, culpe os meus genes" ecoam pelos corredores do Hospital Universitário Princeton-Plainsboro, onde ele trabalha. Para solucionar casos médicos complexos, House não mede esforços.

O doutor passa horas no hospital e estimula os funcionários a ter ideias criativas. Em contrapartida, não leva o menor jeito para gerir, de maneira saudável, um time que o tem em alta conta apenas por causa de sua genialidade — uma situação até comum nas corporações do mundo real. O superintendente de recursos humanos do Hospital Sírio Libanês, de São Paulo, sintetiza: "Muitas vezes um líder chega ao topo por causa de seus conhecimentos técnicos sem ter competência de gestão de pessoas". Apesar da hostilidade, House não consegue trabalhar sozinho: ele precisa de um time formado por gente qualificada e contestadora — características fundamentais para quem quer trabalhar na equipe dele. House tem personalidade difícil, mas sabe como ninguém fazer com que seu pessoal encontre soluções.

"Ele é ótimo estimulador: ajuda o time a pensar amplamente", diz Silvana Gomes, da consultoria de recursos humanos SG, de Cuiabá, no Mato Grosso. A forma como esse processo se desenrola é outra conversa. Quando um subordinado tem uma ideia genial, não há um reconhecimento sincero, mas sim um "por que não pensou nisso antes?". Na série, e na vida real, frases assim tornam o clima pesado. "A falta de um ambiente agradável prejudica os resultados", diz Paulo Henrique Rocha, consultor de recursos humanos da Corrhect.

Se você precisa conviver com um chefe como House e gosta do emprego em que está, tem um grande problema nas mãos e deve avaliar os prós e os contras da situação. "Se o estresse for maior do que o aprendizado, pule fora", aconselha Rubens Gimael, especialista em desenvolvimento de carreira. House tem uma característica admirada pelas empresas nessa época de imediatismo: entrega bons resultados sempre.

Ele sabe planejar, desenhar fluxos de trabalho, administrar as prioridades e realizar seu principal objetivo: salvar vidas. O problema é que sua equipe sofre com suas imposições. House está acostumado a sempre ter razão — e adora isso. Uma de suas citações preferidas, repetidas várias vezes ao longo da série, é "eu prefiro a resposta mais sutil: 'Você estava certo, House'". A ficção está com cara de realidade? Há remédio.

Quem tem de lidar com um chefe de ego enorme dispõe de algumas opções: conversar com o líder sobre suas atitudes e tentar mudá-lo, aturar ou pedir demissão. "Quando o chefe faz questão de reforçar a superioridade, a equipe se afasta e pode até se desintegrar", explica a consultora Silvana.

Para tentar se aproximar do time, House toma um caminho perigoso: mistura o pessoal com o profissional. Já chegou até a contratar o irmão de um subordinado para ter mais argumentos pessoais numa discussão técnica. Lidar com uma situação dessas dentro das corporações não é nada fácil. Quando você não é um personagem de seriado e se reporta a um House, tenha sangue-frio para mostrar os limites do relacionamento, que é saudável apenas se houver uma relação de confiança.

"Uma equipe só se integra quando cultiva laços profissionais genuínos", diz Maurício Alves da Silva, superintendente de RH do Hospital A.C. Camargo, de São Paulo. Para lidar com um gestor que não respeita isso, o melhor é conversar e deixar claros os limites. O doutor House tem um método heterodoxo de trabalho. Trata um paciente mesmo sem ter certeza do diagnóstico, faz exames arriscados que não seriam necessários e até invade casas para checar as condições de vida de seus doentes. Para ele, todos mentem — invariavelmente. O comportamento obriga a equipe a lidar diariamente com limites éticos. Numa corporação, isso é letal: afeta o desempenho e a unidade do time. Se você é subordinado e não concorda com o método de trabalho de seu chefe, a saída é procurar as instâncias superiores. O diretorgeral da empresa de consultoria Business Partners, Luís Savério, aconselha: "Conversar com a área de RH é a melhor atitude a ser tomada nesses casos".

Diagnóstico de gestão

A pedido da VOCÊ S/A, Silvana Gomes, consultora da SG Recursos Humanos, de Cuiabá, e Maurício Alves da Silva, superintendente de RH do Hospital A.C. Camargo, de São Paulo, traçaram o perfil comportamental do doutor Gregory House, personagem de tevê do ator Hugh Laurie, e listaram quais características ele precisa desenvolver para ser mais do que um profissional brilhante e tornar-se um bom líder.
Nome: Gregory House
Idade: 50 anos
Estado civil: Divorciado, sem filhos
Cargo: Chefe do setor de diagnóstico
Formação acadêmica: Medicina, na Universidade Johns Hopkins, especialista em doenças infecciosas

Características pessoais
Adora desafios, é inteligente e respeitado por sua equipe e chefia, que chegam a considerá-lo genial. No entanto, não tem carisma, é sarcástico, excessivamente racional, autossuficiente, introspectivo e manipulador. Apesar dos pontos negativos, sua inteligência altíssima permite que ele seja brilhante e apresente ótimos resultados — fator valorizado pela empresa.

Pontos a desenvolver
House precisa aprender a se relacionar de maneira saudável e mais produtiva com sua equipe e com seus pacientes. Além disso, deve ajudar no desenvolvimento dos membros de seu time e criar um clima saudável entre seus pares. Para se tornar um bom líder, o médico deve passar por treinamentos e programas de aperfeiçoamento — o coaching pode ser uma boa solução.

Como a empresa deve agir
Uma opção é realocá-lo em um setor mais técnico, que permita que o médico exerça sua especialidade sem precisar gerir pessoas, como um comitê de resultados ou um grupo de pesquisas, por exemplo.

http://vocesa.abril.com.br/desenvolva-sua-carreira/materia/se-seu-chefe-fosse-doutor-house-585417.shtml

Ah, Moleque!

 

É cada vez mais comum nas empresas a presença de jovens gestores liderando profissionais mais velhos. Veja como lidar com esse choque de gerações



Entre todos os tipos de atrito que costumam ocorrer entre chefe e subordinado, o mais emblemático do atual momento de mercado é aquele em que o subordinado é mais velho ou mais experiente que seu líder. Essa situação tem se tornado bem mais frequente nas empresas. Com a escassez de mão de obra qualificada, muitas companhias optam por promover a cargos de gestão profissionais com pouca experiência, a fim de retê-los na organização. A prática funciona assim: um coordenador recebe uma proposta de emprego e avisa o chefe. Como falta gente no mercado, a empresa sabe que repor esse profissional levará tempo. Para não perdê-lo, a companhia oferece uma posição mais alta, de gerente, por exemplo.

O profissional fica por estar satisfeito com a promoção. Mas, em muitos casos, está assumindo uma função precocemente. Isso pode se transformar num problema. Uma pesquisa da consultoria americana Randstad mostra que um quinto dos profissionais americanos empregados é mais velho que seu chefe. Porém, apenas metade dos profissionais acima dos 55 anos declara se relacionar bem com colegas mais jovens e 77% dos trabalhadores maduros dizem que os jovens não reconhecem sua experiência. No Brasil, essa mesma realidade se repete, afirmam os consultores e gestores de RH. "Os profissionais estão chegando jovens e despreparados aos cargos de chefia", diz a coach Vicky Bloch.

A questão, portanto, é saber como lidar com a situação. "Você sempre será testado por ser jovem", diz Ricardo Gelain, de 32 anos, diretor comercial e de marketing da TNT, empresa de transporte de carga. Em sua equipe de oito gerentes, apenas um é mais novo que ele. A situação não é nova para ele, que assumiu seu primeiro cargo de gestor aos 23 anos. Recordando- se de algumas situações pelas quais passou na carreira, Ricardo admite que às vezes lhe faltou a experiência, mas que em outras ocasiões foi vítima de preconceito.

Sua receita é se impor pela competência. "O essencial é demonstrar o seu conhecimento e capacidade para obter o respeito", diz.

ESCOLHA A ATITUDE CERTA
O líder jovem precisa gastar um tempo analisando qual deve ser sua atitude diante de um profissional mais experiente. Uma reação possível, mas errada, é impor respeito à base da força. Pode funcionar logo no início, mas o desgaste é inevitável em pouco tempo. Outra reação possível é exatamente a contrária: o profissional aceita a promoção para ser líder, mas não se considera plenamente preparado.

Aí, predomina a insegurança e acaba se fechando, quando o certo seria se comunicar muito. A maior recomendação para um jovem líder é conversar muito e de maneira sincera com a equipe, mostrando seu conhecimento e suas limitações. E, acima de tudo, construir um relacionamento profissional, baseado na busca por resultados para a companhia. "O líder deve deixar claro para os subordinados quais são os objetivos esperados de cada um", diz Antonio Luiz Mendes, diretor da Dale Carnegie Training, empresa de treinamento corporativo. A reação típica de um profissional maduro diante de um chefe mais jovem é a resistência. Por orgulho,por julgar-se mais capaz, ele só vê defeitos na atuação do chefe garotão.

A partir daí, cria-se um círculo em que o profissional só vê defeitos no gestor e questiona todas as suas decisões. Em poucos meses, ele vira um peso — e nenhum chefe tolera isso por muito tempo. A resistência pode também gerar falta de motivação. "Talvez os piores sejam os que não expressam claramente o que sentem. Eles ignoram o líder e seguem fazendo as coisas com indiferença", afirma o coach Renato Ricci, autor do livro Liderando na Crise (Editora Qualitec NewBook). Como, então, gerenciar um chefe mais novo?

A melhor resposta se aplica a líderes de qualquer idade: no lugar de resistir, coloque-se à disposição e procure colaborar. É o que faz Sandra Pons, de 50 anos, supervisora administrativa da SH Formas, do Rio de Janeiro, que tem um chefe 17 anos mais novo. Sua receita é oferecer o conhecimento que acumulou, mas sem transformá-lo em verdade única.

"Sei que minha experiência é reconhecida e que tenho liberdade para expor ideias", diz Sandra. Um lembrete: não se preocupe com a tarefa de convencer a outra parte de que você é bom. Em vez disso, invista no relacionamento, procurando pontos de convergência e interesses mútuos. Desse jeito fica mais fácil encontrar um caminho para o diálogo.

PARA JOVENS E EXPERIENTES VEJA ABAIXO AS DICAS PARA SE DAR BEM COM SEU JOVEM GESTOR E COMO LIDERAR UMA EQUIPE MAIS EXPERIENTE CONSELHOS PARA UM LÍDER JOVEM...

1. Entenda que os mais velhos detêm conhecimentos e experiências muito importantes para o sucesso de sua liderança.
2. Saiba ouvir e debater com clareza suas posições.
3. Invista no conhecimento. Geralmente, os mais velhos isolam líderes jovens por falta de preparo ou de conhecimento.
4. Demonstre com resultados práticos suas ideias e planos. Prove por meio de resultado seu mérito.
5. Coloque-se numa posição de humildade e vontade de aprender. ...

E PARA UM FUNCIONÁRIO MAIS VELHO

1. Entenda que ter um chefe mais novo é um processo natural e uma tendência.
2. Procure ajudar o novo líder com toda sua experiência.
3. Evite resistir e procurar erros nas decisões do chefe.
4. Pense da seguinte forma: "E se fosse eu? Como eu gostaria de ser tratado pelos mais velhos?". 5. Seja aberto e paciente.

http://vocesa.abril.com.br/desenvolva-sua-carreira/materia/ah-moleque-609317.shtml